Durante quatro dias a Terra Indígena Arara recebeu visitantes indígenas e não indígenas para participarem do Festival Kãda Shawã Kaya. O encontro mobilizou shawadawas do Cruzeiro do Vale, Bagé, Igarapé Preto, Valparaiso, além de muitos que vivem em situação urbana em diferentes cidades acreanas. Representantes dos povos shanenawa, apolina, jeminawa e puyanawa também estiveram presentes.

O evento, que teve a participação de cerca de mil pessoas, foi realizado na Aldeia Foz do Nilo, às margens do Rio Cruzeiro do Vale, no município de Porto Walter, durou quatro dias e teve seu encerramento no amanhecer do dia 12, segunda-feira.
Entre cerimônias espirituais com as medicinas da floresta e danças e cantorias tradicionais da etnia shawadawa os visitantes participaram de diversas atividades. As brincadeiras relacionadas aos seres que representam árvores e animais como o peixe-boi, a queixada, a samaúma, o urubu, o macaco e o jabuti foram o ponto alto do Festival.
Uma disputa de arco e flecha com os guerreiros e caçadores das aldeias mobilizou a atenção dos participantes. A torcida foi grande pelos competidores que precisavam acertar um pequeno alvo numa distância de 100 metros. Mais de 20 indígenas participaram da competição e os vencedores receberam premiações.

Cultura e beleza indígena
Um outro momento de destaque do Festival Kãda Shawã Kaya foi o desfile com moças, rapazes e crianças trajando roupas e adereços da cultura originária. Os critérios para escolher os vencedores foram a autenticidade das vestimentas na tradição shawadawa, a beleza e a simpatia dos concorrentes. Os três primeiros colocados nas categorias masculina e feminina foram premiados com valores em dinheiro.

Chegada de benefícios
A Aldeia Foz do Nilo recebeu o prefeito de Porto Walter, César Andrade, o deputado federal Zezinho Barbary e uma comitiva de vereadores municipais. Durante as festividades foram entregues barcos de alumínio, motores de rabeta, máquinas para a produção de açaí, kits de casas de farinha, cestas básicas e brinquedos para as crianças. Os recursos vieram de uma emenda parlamentar do deputado Barbary executada pela prefeitura e contemplou diversas comunidades shawadawas da região.

O prefeito César Andrade elogiou a organização do Festival e destacou a sua importância para a economia e a cultura de Porto Walter. “Esse evento trouxe enormes benefícios para o nosso município. Todo esse movimento se reflete em oportunidades de ganhos para os barqueiros, postos de combustíveis e o comércio que vendeu parte da alimentação para essa gente toda que participou do Festival. Mas o aspecto mais importante é ver a união entre os povos indígenas que fortalecem as suas culturas mostrando para o mundo os seus conhecimentos tradicionais numa festividade como essa”, disse o prefeito.
Já o deputado federal Zezinho Barbary, que nasceu num seringal localizado próximo ao Rio Cruzeiro do Vale, enalteceu a organização do Festival. “Uma festa em que as pessoas chegam pra brincar e manifestar as suas culturas sem brigas e nem confusões. Através do meu mandato tenho me empenhado em ajudar as comunidades indígenas trazendo benefícios para a produção e também valorizando os seus eventos culturais”, afirmou o deputado.
A secretária Extraordinária de Povos Indígenas, Francisca Arara, ressaltou que a conquista da Terra Indígena Arara é fruto da luta das mulheres. “Nos deram essa terra pra gente cuidar. No passado eu fui professora nessa aldeia e passei cinco anos sem receber. Hoje o nosso governador Gladson Camelí tem honrado com a Educação Indígena fazendo escolas nos territórios e valorizando os professores, que recebem em dia. Ele tem sido um grande incentivador para que festivais culturais indígenas como esse aconteçam nas comunidades de todas as etnias do Acre. Essa valorização da nossa cultura é essencial para que o nosso estado quebre as barreiras dos preconceitos e garanta a liberdade e a integração econômica e social dos nossos povos com a sociedade acreana”, avaliou a secretária.

Povo Shawadawa renascido com a força da juventude
Um dos principais organizadores do Festival Kãda Shawã Kaya, José Lima, conhecido como Poeta Arara, comemorou os resultados positivos do evento. “Não é fácil garantir alimentação e boas condições de estadia para tanta gente. Mas conseguimos vencer o desafio e durante esses quatro dias os participantes do festival puderam participar de toda a sua programação com tranquilidade e segurança. Mas a sensação que fica é que sempre podemos fazer melhor e, tenham a certeza que vamos corrigir eventuais falhas, e o próximo festival será ainda melhor”, ressaltou.
Orleir Shawadawa, um dos dirigentes do Centro Cultural da Aldeia Foz do Nilo, observou que a participação dos jovens durante o festival foi maior que nos outros anos. “A nossa juventude atualmente tem orgulho de ser indígena. Mas nem sempre foi assim. Então eventos como esse são momentos de reafirmação da cultura dos nossos ancestrais. Temos que lutar que as próximas gerações dos indígenas de todas as etnias possam mostrar saberes que podem ajudar pessoas de todas as raças do mundo”, finalizou Orleir.





















